Pra tudo se tem uma primeira vez e a primeira vez a gente nunca esquece. O primeiro beijo, o primeiro sutiã, a primeira briguinha de amor, o primeiro salário, o primeiro carro, a primeira viagem de avião.
Pra toda primeira vez, a gente se prepara. A gente imita os beijos do cinema se beijando no espelho, experimenta o sutiã da mãe, ensaia caras e bocas, faz planos do que vai comprar, toma aula de volante e… e para a primeira viagem de avião?
Parece simples andar de avião, mas tem gente que realmente precisava de umas aulas de comportamento a bordo. Como ontem, quando peguei o avião de São Paulo para Navegantes. Meu assento era na janela e, quando cheguei à minha fileira, as duas pessoas já estavam sentadas em seus devidos lugares.
O primeiro, do corredor, se levantou educadamente para me dar passagem. O segundo, sentado no meio, perguntou com a maior cara de pau: “A Sra. vai querer se sentar em seu lugar mesmo?”. “Não, vou querer me sentar no lugar do piloto, sua anta” (calma, calma, essa foi a resposta que pensei em dar, mas sorri e disse “Não, tudo bem, o Sr. quer se sentar na janelinha, não é? Eu não vou ter mesmo tempo de ficar olhando pela janela, além do mais, o céu é igual em todo lugar, pode ficar”.
Ele mais que rapidamente se sentou na janelinha e eu me sentei no lugar dele, no meio. Peguei meu celular, liguei pra minha mãe, desliguei o celular, coloquei-o na bolsa e peguei um livro pra ler. Ele abriu sua pasta, tirou o celular, disse “Ah, deixa eu desligar o celular, não pode ficar ligado, né?”, colocou-o de volta na pasta e ficou olhando pela janelinha, vendo a magnitude do aeroporto de Navegantes…
O avião começou a taxiar enquanto a aeromoça dava as instruções para desligar os celulares e aparelhos eletrônicos, informava tempo de vôo, etc e tal, aquelas coisas padrão de sempre. A aeronave se posicionou na pista, acelerou e levantamos vôo tranquilamente.
Mal o avião tinha se estabilizado, o distinto ao meu lado pegou sua pasta, abriu-a, tirou o celular, ligou-o e começou a filmar! Sim, senhores da platéia, ele começou a filmar as ‘nuvi”. Eu fiquei ali, olhando pra cara dele… a aeromoça passou e não disse nada. Eu não me agüentei e, educadamente, disse “Senhor, o Sr. poderia fazer a gentileza de desligar o celular?”. Nisso a aeromoça ouviu e voltou correndo e disse “Moço, moço, desliga o celular, não pode ficar ligado durante o vôo”.
Ele ficou sem graça, olhou pra mim e disse “Ah, eu acho que não tinha entendido direito, sei lá, não ouvi ela falar”, no que eu disse: “Senhor, ela falou em dois idiomas, português e Inglês. Qual dos dois o Senhor não entendeu?”. Ele ficou sem graça e não disse nada. Eu voltei a ler meu livro e fiquei na minha.
Quando começamos o procedimento de descida, a aeromoça deu as informações de praxe (em português e em inglês!!!!!!), entre elas para manter os celulares desligados até a chegada ao saguão do aeroporto. Ele então se virou para mim e disse “É, naquela hora eu acho que não tinha entendido mesmo, é que eu nunca voei antes, esta foi a minha primeira vez”. Claro, eu não agüentei e disse “E poderia ter sido a sua última, aliás, a nossa última vez”, grrrrrrrr
Hey, não me venham dizer que fui maldosa, que eu devia ter mentalizado luz branca, essas coisas todas… Ele sabia muito bem que não podia e que era perigoso. Além do mais, quando eu cheguei ao aeroporto em SP, tinha uma multidão de parentes das vítimas daquele vôo da TAM que caiu em Julho vestindo camiseta preta com a foto do parente morto no peito protestando contra a TAM e eu não ia querer minha mãe ou irmãs nessa situação. Pior que isso, no relatório sobre o motivo da queda do avião iria aparecer "O passageiro do assento 4A ligou o celular" e quem tava reservado nesse lugar? Euzinha aqui, pensem!!!!
Vou te falar… Conviver em sociedade é mesmo complicado, tem gente que devia ficar confinado em jaula desde que nasceu já que não tem respeito pela vida do próximo!