Hoje é 30 de Maio e, como faço todos os anos desde 1978, vou telefonar para dar os parabéns ao primeiro grande amor da minha vida, o Marinho. Ele era um garoto loirinho de olhos castanhos, bem tímido e todos tiravam sarro dele porque ele ainda não era cabeludo nas pernas como tantos outros garotos da mesma idade. Mas ele não se importava. Eu não me importava, eu era totalmente apaixonada por ele. Eu passava pela sua sala de aula trocentas vezes somente para vê-lo… de bicicleta, eu pedalava correndo em frente à lanchonete dos seus pais e ficava decepcionada quando não o via no balcão. Na entrada, na hora do intervalo e na hora da saída da escola, eu o seguia com os olhos, com coração batendo acelerado quase saindo pela boca.
E foi assim que curti aquele amor platônico durante 2 anos até que namoramos quando estávamos no que chamávamos na época de “terceiro colegial”. Nos separamos de comum acordo após um ano e até hoje somos amigos. Melhor, somos eternos namorados (a prova é um cartão que ele me deu de aniversário e que tenho até hoje em que estava escrito “Do seu eterno namorado“). Bacana, né?
Nunca brigamos nem discutimos, nosso amor foi sempre de risos, de mãos dadas, muitos beijos e dormir de conchinha. Ele, um gentleman, sempre fez questão (e faz até hoje) de abrir a porta do carro para mim e de puxar a cadeira para eu sentar. Não ficamos juntos sob o mesmo teto e após 30 anos, ambos ganhamos alguns cabelos brancos (eu mais que ele, mas ele ficou mais charmoso dessa forma!). Seguimos caminhos diferentes, mas em nossos corações andamos lado a lado e sempre que temos a chance, recordamos esse amor com um bom jantar, um bom cinema e uma boa noite de amor. Amor sincero, quase infantil, sem nada a esconder de ninguém.

E foi uma linda história de amor como essa nossa que eu acabei de ver na Tv. Pelo trailler, eu achei que fosse um novo seriado e não dei muita atenção, mas mesmo assim resolvi dar uma chance. O nome do filme é ABC do Amor e conta a história de Gabe, um garotinho de 11 anos que se apaixona pela primeira vez em sua vida. Rodado em Nova York (reconheci vários restaurantes onde almocei com meu amigo Richard, um novaiorquino legítimo!), tem como atores mais conhecidos a Cynthia Nixon (a Miranda Hobbes, de Sex And The City) e Willie Garson (Stanford Blatch, amigo gay da personagem Carrie Bradshaw, também da mesma série). Destaque, ainda, para a excelente trilha sonora.
O filme é muito divertido e mostra o amor pelos olhos de uma criança. Chega até a doer quando a gente percebe que deixou tanta delicadeza pra trás pela covardia, pelas mentiras, pelas palavras ditas e, principalmente, pelas não ditas, que são as que incomodam mais.
Se você quiser voltar no tempo, se lembrar de como era amar sem reservas e é do tipo que acredita que, um dia, o amor pode dar certo para você também, então veja o filme. Com certeza, você vai se emocionar, pois é um filme para todas as idades (já que o amor, definitivamente, não tem idade). Mas se você for do tipo que não se emociona com mais nada, então melhor não assistir, pois vai achar uma bobageira de criança. Mesmo assim, se eu fosse você, eu faria como eu e daria uma chance. Quem sabe você quebra esse gelo e não se emociona como há muito não fazia, heim? Tente, pelo menos, pois é assim que o amor pode dar certo: por tentativa e erro. Uma hora, a gente acerta!
Ao meu eterno amor, Marinho, feliz aniversário duas vezes - pelos seus 47 anos de vida e por nossos 30 anos de namoro!!