
Pois é, gente… o céu dos gatinhos acaba de ganhar mais uma nova moradora… minha gatinha Snoopy faleceu esta noite de problema renal crônico. Ontem pela manhã, levei-a ao vet para fazer exame de sangue, apesar de a vet dizer que poderia ser no final da tarde pois ela estava bem. Mas coração de mãe não se engana e tem pressa. Segurei-a com carinho enquanto o vet tirou o sangue dela (da jugular) e deixei-a lá tomando soro, já que estava bem fraquinha apesar de todo o cuidado que tive com ela no final de semana.
Sou contra me separar dos meus gatos e jurei nunca deixar um bichinho meu sozinho numa clínica, mas o estado dela era grave, eu sabia… eu já sentia o cheiro de morte, mas não queria aceitar, queria lutar e fazer o possível e impossível até o fim. Eu estava tão chateada, tão chateada que no caminho de volta bati meu carro… sim, não vi que o carro da frente tinha parado e fui direto… bum! Quando me dei conta, tinha entrado na traseira de um Palio novinho em folha… só debrucei-me no volante e disse “Meu Deus, eu bati!”.
O cara desceu do carro e veio direto pra cima de mim, mas quando abri minha porta, só pude dizer “Meu Senhor, me perdoe, eu não estou bem e juro que não o vi… achei que o Senhor tinha ido” e ele “Mas vinha vindo um carro, eu não tinha como ir” e eu “Eu sei, me perdoe, eu errei mesmo, não vi… mas o Senhor está bem? Seu carro estragou?“. Por sorte, muita sorte, não tinha acontecido nada (a batida foi feia, juro, fez um barulhão!). Ele ainda perguntou sobre meu carro, mas eu disse “Isso nao me importa, é lataria, eu não ligo pra isso“. Aí pedi perdão novamente e ele ainda me deu a mão em sinal de ‘tudo bem’ e seguimos nossos caminhos. E eu rezando para não acontecer nada no caminho da empresa…
Mas quando tem que acontecer… no meio da BR 101, o que eu vejo? Um bezerrinho correndo no meio da estrada com uma cordinha amarrada ao pescoço… tinha fugido de algum pasto e do jeito que ia, não ia viver pra virar bife! Diminuí a velocidade, liguei o pisca alerta e todos os carros atrás de mim fizeram o mesmo e acho que um casal que vi no acostamento pegou o bichinho antes que ele fosse atropelado e causasse um acidente.. e eu pensando na minha gatinha lá naquela clínica, toda entubada, tomando soro na veia. Quem diz que eu consegui trabalhar?
Por volta das 11h30, o vet me telefonou dizendo que o quadro era mesmo gravíssimo. A creatinina dela estava em 11 (quando o normal pra gato é 1,8 - segundo ele, se fosse um humano já estaria morto!) e que ela teria que ficar internada pelo menos 3 dias para tomar soro e fazer novos exames. Pedi a ele para fazer de tudo e que dinheiro não seria o problema e ele disse que faria o melhor dentro do quadro clínico grave em que ela se encontrava.
No fim do dia, passei lá para vê-la e ela tava bem abatida, mas mesmo assim, mesmo no soro, se levantou e quis vir no meu colo. Eu enchi-a de carinho, ela ronronou bastante, mas mal conseguiu miar de tão ruinzinha que estava… saí de lá arrasada. Por volta da meia-noite, liguei para saber como ela estava e me certificar de que ela não estava passando frio e o vet me garantiu que ela estava com um aquecedor na sala. E como explicar pra Shania que a Snoopy não ia voltar naquela noite e talvez nunca mais? As duas eram muito ligadas e a Shania ficava andando de um lado pra outro miando à procura da Snoopy que até hoje, aos 10 anos, mamava nela… me cortou o coração e assisti o CQC chorando de molhar o pijama e fui pra cama com os olhos inchados e sabendo que tão cedo ela não voltaria a dormir na minha cintura como só ela sabia fazer…

Hoje cedo cheguei na clínica às 07h20 e aguardei a chegada do veterinário dela e ficamos conversando até 08h40 discutingo como seria o procedimento caso fosse problema renal agudo (hemodiálise todos os dias - ou seja, eu ia ter que aprender a dar injeção subcutânea e comprar ração especial para doença renal) ou crônico (teria que sacrificá-la…).
Resolvi não pensar no pior, enchi-a de beijos e carinhos e fui para o trabalho com o coração partido, mas prestando atenção ao trânsito. Liguei na hora do almoço e tudo estava bem. À tarde, pesquisei sobre hemodiálise em gatos, medicamentos importados, como dar injeção, etc e tal… Às 18h liguei novamente e o vet me disse que ela tinha dado uma melhorada e eu fiquei mais aliviada.
Fiquei um pouco mais além do horário para terminar um trabalho e apareceu uma apresentação que teria que ser entregue ao vice presidente amanhã, mas como sou profissional e não deixo nada pro dia seguinte, resolvi olhar e corrigir o que tinha pra ser corrigido e ir embora tranquila, pois sabia que a Snoopy estava bem.
Saí da empresa às 19h45 e ainda pedi a Deus “me proteja na estrada, pois vou ter que correr… e cuide da minha Snoopy, por favor“. No meio do caminho, resolvi checar as mensagens no meu Blackberry e vi um torpedo do vet dizendo “liga pra mim“… quase saí da estrada… Liguei pra ele e ele me deu a triste notícia que ela tinha acabado de falecer… exatamente no horário que eu saí da empresa…
Cheguei à clínica e o corpinho dela ainda estava quente… segurei sua cabeça em minhas mãos e beijei-a muito. O vet ainda disse que ela estava cheirando forte por causa da creatinina que já estava na pele, mas quem disse que eu estava sentindo algum cheiro? Pra mim, era o meu bebê que estava ali inerte, sem vida, que não tinha esperado eu chegar. O vet me tranquilizou dizendo que eu fiz tudo certinho e que era um caso crônico, que isso acontece, nem sempre a gente consegue ver com antecedência, mas que ela não tinha sofrido.
Ele me deixou a sós com ela e agradeci-a por 10 anos de amor e alegria, pedi perdão se errei e por não estar lá em seu último suspiro, mas não tinha que ser… eu já passei por isso uma vez com minha gata Mitzi que deu o último suspiro olhando para mim e foi terrível… eu chacoalhava a gata querendo trazê-la de volta, mas… era a hora… acho que a Snoopy quis me poupar. Acariciei todo o corpinho dela pela última vez, beijei-a no nariz como eu sempre fazia, cobri-a e saí sem olhar pra trás…
A imagem que quero guardar dela é a de hoje cedo, dela ronronando, me enchendo de carinho e se refresquelando toda pro meu lado apesar de fraquinha. Aqui agora falta um, mas o céu dos gatinhos ganhou um anjinho. Ela fará muita falta, era peralta, barulhenta, voava pela casa e eu costumava chamá-la de ‘meu morceguinho’ por ser vesguinha, mas sua hora chegou…
Obrigada a todos pela força e pelo carinho. Se eu vou pegar outro gato? Não, vou cuidar dos que ficaram e no sábado levarei todos ao vet para fazer exame de sangue e saber se algum tem predisposição a ter doença renal. Se tiver, ainda temos chance de cuidar melhor. No caso dela, como ela estava saudável, nem passou pela minha cabeça que ela poderia vir a desenvolver algo. Inclusive, ela tinha consulta hoje para limpeza de tártaro e eu ainda brinquei com a vet dizendo “Tu acabaste de perder uma paciente… a Snoopy morreu”, enquando chorava e beijava a patinha dela… a vet não sabia o que dizer, pois ela é quem tinha me atendido à tarde e dito que ela tinha melhorado… ninguém entende!
E já me decidi: quando todos se forem, vou trabalhar como ‘lar temporário para gatos doentes’… tipo gato com câncer, com PIF, com algum defeito… já que é pra morrer logo, que sejam bem cuidados… assim tento não me apegar e dar o melhor de mim para os últimos dias do bichinho.
Pra fechar este longo e doloroso post, duas imagens que ilustram bem o nome que ela teve: Snoopy… o cãozinho que dormia em cima da casinha (e ela agora dorme em cima de uma nuvenzinha bem fofinha!).
Paco e Snoopy
Snoopy e Shania