Ontem eu ressuscitei um passarinho e hoje foi dia de salvar gatos… acordei às 5 da madrugada ouvindo gatinhos bebês miando desesperados, fui ao terraço mas não consegui ver de onde vinha o barulho que logo parou. Ao sair para o trabalho, dou de cara com o síndico na porta do prédio com um saquinho plástico com ração de gato na mão… ele também tinha ouvido o barulho, mas já tinha achado os bichinhos, só que a gata mãe não deixava ele chegar perto… eles estavam bem em frente do nosso prédio, um em cada lugar, aos pés de duas árvores enormes e a gata estava andando de um lado para o outro, protegendo os dois.
Ficamos sem saber o que fazer, mas disse a ele pra fazer o que fosse melhor pros bebês que eu ajudava quando voltasse do trabalho, pois já estava atrasada. Na hora do almoço ele me manda um e-mail dizendo que a esposa tinha conseguido resgatar os dois bebês e que eles iam dormir na minha casa, pois os dois gatos dele estavam enfurecidos.
Quando cheguei em casa depois do trabalho, fui direto para o apartamento dele ver os bebês e eles mais pareciam dois pontinhos pretos de tão pequeninos que eram. A esposa dele já tinha dado de mamar durante o dia, mas ele não sabia fazer isso, então peguei os dois na mão e lá fui eu dar leite de seringa para os filhotinhos que já estavam bem mais animadinhos (e o síndico já mais apaixonado por eles hehehe).
Alimentados e quentinhos no quarto de visitas, deixei-os com o coração partido e fui correndo pra aula. Na volta, ao parar meu carro na garagem, ouvi um miado e achei que fosse a gata mãe… saí para a rua e tentei pegá-la para levar para seus filhotes, mas quando chamo a gatinha, quem me aparece?
Um outro gato de mais ou menos 5 meses, todo cinza de patinhas brancas e a cara mais linda do mundo…veio direto e voou no meu pescoço e já ficou me enchendo de cafuné… me apaixonei à primeira vista, fiquei enlouquecida!!! Aí toquei no apartamento do síndico e disse “Adivinha o que eu achei?” e ele disse “A gata mãe?” e eu disse “Não, outro gato, desce aqui pra ver” hahahahahaha e ele desceu.
E, como eu, ficou apaixonado pelo felino que já pulava de um colo pro outro como se já nos conhecesse há anos… ficamos os dois no hall do prédio sem saber o que fazer, ambos encantados com o gato. Resolvi ligar para uma amiga que tem amigos na ong Viva Bicho de Camboriú e ela me disse “Guria, eu ia te ligar agora para pedir os seus transportadores de gatos, pois os meus 8 gatos estão aqui enlouquecidos com 5 gatinhos ariscos que entraram no quintal e eu preciso caça-los para deixá-los separados em algum lugar até eles se acostumarem uns com os outros e amanhã eu vejo o que faço“…
Então contei pra ela que eu tinha achado um gato cinza de patinhas brancas lindo de viver e carinhoso de tudo e que não sabia pra quem ligar e ela, supresa, disse: “Gato cinza? Patinhas brancas? Gesuis, você encontrou o Tino!!!!” e eu disse “Tino, você conhece o gato?” e ela disse “Guria, tem um garoto de 11 anos doente na rua 1201 que todos os dias coloca uma placa de cartolina no portão de casa procurando o gato e ele é exatamente como você descreveu!”
Até me arrepiei… deixei meus livros com o síndico e fui direto pra Rua 1201 (a mais ou menos 10 quarteirões de casa procurar a tal casa verde do lado direito onde morava o garoto… só que ele já tinha tirado a placa e na rua tinham várias casas verdes…
Tuuuudo bem, já passava das 22h30, eu tava cansada, com sono e com fome, mas o que eu não faço por um gato, não é? Bati em umas três casas, acordei umas 4 velhinhas, mas na quarta uma senhora veio me atender com a filha… quando eu perguntei se ela sabia quem tinha perdido um gato, a filha começou a chorar… elas também tinham perdido uma gata siamesa há mais ou menos um mês e saíram pra me ajudar a encontrar a tal casa do garoto de 11 anos.
Fui até lá, bati palmas, gritei e nada… casa fechada… voltei pra casa da senhora que tinha me ajudado (claro que as duas eram em lados opostos da rua e eu ficava andando de um lado pro outro com o transportador de gatos na mão) e a filha já tava colocando uma cartolina no muro… eu olhei estranho e a mãe falou “Há um mês ela me pede para colocar um aviso e eu achei que ninguém fosse dar atenção pra isso, mas quando você chegou aqui dizendo que tinha lido uma placa de procura-se, eu não tive outro jeito hehehehe“.
Como ela conhecia a família, disse que ficava com o gato e que entregava no dia seguinte… eu ainda fiquei meio receosa, mas ela me pareceu gente boa e ainda trouxe o outro gato que ela tinha em casa, o Tom, um persa branco, lindo e fofo, no colo da filha que já tinha parado de chorar e se animado quando eu disse que tinha dois gatinhos pretinhos pra ela, se ela quisesse hehehe mas a mãe falava “Ai, eu até torço pra este gato não ser do menino, pois já me apaixonei por ele” e ele olhava pra mim tipo dizendo “Obrigado, você me salvou da rua”… meu coração partiu.
Me despedi da família da qual já fiquei amiga e prometemos nos visitar e passei na minha amiga para deixar os transportadores… ainda tentei pegar os gatinhos ariscos, mas não consegui, eles foram mais rápidos que eu e se esconderam no enorme quintal que ela tem em casa…
Saí de lá quase à meia-noite, mas minha amiga me prometeu ir no dia seguinte checar se o gato tinha sido entregue e se era mesmo do garoto. Ela me ligou logo após o almoço e disse que quando contou pro garoto que eu tinha achado o gato dele a mais de 10 quarteirões de casa, ele não aguentou e chorou de alegria, ela ficou até emocionada. A vizinha não estava em casa, mas ele falou que as conhecia e que ia pegar o gato mais tarde, quando voltasse da escola.
E eu fiquei pensando… que sorte aquele gato deu em aparecer logo pra mim. Outra pessoa teria largado ele na rua ou até ficado com ele, já que ele era um querido, mas a gente via que ele era gato de casa, de alguém, que estava bem cuidado, mas como saber de quem era se ele não tinha identificação alguma?
Só sei que São Francisco periga de perder o posto dele para mim, para o síndico e minha amiga Andréia… a gente não descansa um minuto e quando se trata de salvar gatos, o assunto é conosco mesmo! Ah, claro… os pretinhos estão bem, fora de perigo, bem tratados e à espera de adoção… mas que eu tô doida pra pegar um, ah, tô mesmo, não nego. E ele já teria nome: Bola 7, pois é pretinho e seria meu sétimo gato