Nós e a paz
Semana passada, dia 27, tivemos aqui na cidade mais uma vez o prazer de ouvir Divaldo Pereira Franco e, desta vez, na praia, numa noite linda de lua cheia e calor, a única na semana em que não choveu.
O evento estava marcado para começar às 19h30, mas bem antes disso já tinha um monte de gente sentada em frente ao palco, na areia, em suas cadeiras de plástico. O sol parecia que não queria ir embora, queria ficar para ouvir a paletra e foi nos deixando bem devagarinho (por incrível que pareça, passava das 8 e meia da noite e ainda estava claro!).
Várias autoridades (de diferentes religiões) fizeram a introdução ao tema “Você E A Paz” (fiquei impressionada com a clareza e a inteligência da juíza da Vara de Infância da cidade… que mulher de visão!!!!) e a estrela da noite chegou ainda com a luz do dia, fechando a noite com um céu espantosamente estrelado.
Quase duas horas depois, sob protesto do povo, Divaldo deixou o palco em direção ao hotel e uma multidão o seguiu. Uma amiga que estava comigo queria chegar pertinho dele e fomos até onde ele estava. Foram necessários alguns policiais para fazer a escolta dele, já que o povo não o deixava sequer dar dois passos e tudo corria bem até que uma senhora passou por nós e bateu no ombro do fotógrafo oficial do evento, à nossa frente.
Ele olhou para trás e ela gritou “O senhor é muito grosso, viu? Muito grosso, eu só vim aqui pra lhe dizer isso… grosso” e ele se defendeu na maior calma dizendo “Mas minha senhora, ele vai atender a todos, mas a senhora não pode subir no palco“.
Ao ver nossa cara de espanto, ele contou que ela queria subir no palco e ele não deixou, pois o palco era apenas para as autoridades e para pouca gente e se ela subisse, mais gente iria querer fazer o mesmo e poderíamos ter um acidente. E ele estava super calmo, tranquilo, fazendo o trabalho dele e foi super educado com ela e conosco, nos explicando o que tinha ocorrido minutos antes.
Eu virei para a senhora ao meu lado e dissemos uma a outra praticamente a mesma coisa: “Quase duas horas ouvindo falar sobre a paz e essa mulher não entendeu nada, não absorveu nada do que foi falado“.
Impressionante como as pessoas vão a palestras, ouvem, aplaudem e quando saem do evento, praticamente se esquecem do que aprenderam, do que ouviram. A palestra foi recheada de histórias e casos pessoais e exemplos da Bíblia sobre paz, humildade, respeito, caridade… e a mulher parece que não entendeu nada, pois só estava pensando nela, no que ela queria fazer, não importando se ela iria colocar a vida dos outros em perigo ou não.
Aí é que a gente vê que a paz, a verdadeira paz, começa na gente mesmo. Se a gente não está em paz, como vai querer promovê-la?
